Negócios do Esporte

Visa coloca Paolo Rossi e Zidane para campanha da Copa

Erich Beting

A Visa decidiu radicalizar a comunicação para a Copa do Mundo de 2014. A empresa de cartões de créditos decidiu colocar como principais protagonistas da campanha publicitária para o Mundial os dois maiores carrascos do futebol brasileiro nas últimas décadas.

O italiano Paolo Rossi (Copa de 82) e o francês Zinedine Zidane (Copas de 1998 e 2006) são os protagonistas da campanha que começa nesta quarta-feira por meio de um comercial de televisão e se espalha via redes sociais.

O vídeo, ao qual o blog teve acesso, traz um barbeiro que recebe Rossi como cliente. O dono da barbearia só reconhece o jogador italiano quando ele lhe entrega o cartão de crédito. Ao ler o nome no cartão, o barbeiro volta ao passado, e se recorda de, naquele mesmo local, ter presenciado a decepção dele e de seu pai com os três gols que tiraram a seleção de 1982 da Copa. Ao voltar para o “mundo real'', o personagem devolve o cartão e diz “Volte sempre, Paulinho''. Em seguida, entra outro cliente no estabelecimento. Para espanto do dono, é o francês Zidane, que é recebido com certa resignação pelo barbeiro.

A brincadeira com os dois maiores carrascos do Brasil tem dois objetivos principais. O primeiro é fazer com que a campanha consiga ter alcance mundial e fazer a Visa ser reconhecida como patrocinadora do Mundial. O segundo é reforçar o conceito da marca, de que todos são benvindos.

“A Copa do Mundo do Brasil é a Copa das Copas. Os ingleses podem até não concordar muito com isso, mas é isso o que o mundo espera, afinal aqui é o país do futebol. O conceito criativo dessa campanha tenta captar aquilo que o Brasil oferece ao torcedor e o que a Visa também pode oferecer. O brasileiro é muito hospitaleiro, ele trata bem todo mundo. Até mesmo o Zidane ou o Paolo Rossi. A mesma coisa acontece com quem usa nosso cartão. Ele está seguro, se sente bem recebido'', afirmou ao blog Adrian Farina, vice-presidente sênior de marketing da Visa para América Latina e Caribe.

A ideia da marca é fazer com que a Copa sirva de trampolim para que as pessoas lembrem-se dela após o torneio. Líder no mercado nacional e tendo o Brasil como o segundo maior mercado das Américas após os Estados Unidos, a Visa aposta no torneio brasileiro para ampliar a liderança e, também, contar uma história.

“Queremos impactar o consumidor a partir do conteúdo. E fazer com que ele se lembre da marca. Hoje, o consumo da informação mudou radicalmente. A pessoa não se lembra mais como ela consumiu um determinado conteúdo, mas se lembra do que ela viu. É isso que queremos fazer'', complementou Farina.

Por conta disso, a agência de publicidade Almap desenvolveu um processo criativo que tinha como base criar as redes sociais. A ideia é fazer com que a campanha tenha alto potencial de compartilhamento pelos meios virtuais, especialmente YouTube e Twitter. Tanto que, no orçamento do projeto, 30% da verba será gasta com ações pelas redes sociais.

“Quando pensamos na campanha, tentamos sempre imaginar se ela tem o potencial de compartilhamento. Eu sempre olho e penso se é o tipo de produto que eu repassaria aos amigos e qual o papel da marca para contar essa história. Se as pessoas não falam, não vai para a frente. Por isso a campanha tem de ir além da mídia paga. Ela tem de ser uma história legal que as pessoas associam à marca da Visa quando veem'', disse Ricardo Fort, diretor global de patrocínios da Visa e que negociou com Zidane e Rossi para serem os garotos-propagandas.

Coincidentemente, a campanha da Visa bebe da mesma fonte do “Fantasma del 50″ criado pela Puma. A marca também se vale de momentos trágicos do Brasil na Copa para tentar captar a atenção do consumidor e, mais do que isso, tornar a história engraçada e, dessa forma, viral na internet.

Numa publicidade recheada de dribles, pedaladas e gracejos desde os anos 90, mexer com a dor do brasileiro nos Mundiais parece ser a grande novidade para 2014.

E, com certeza, é o tiro mais do que certeiro para que não se fique na mesmice. Assim como no caso da Puma, a grande sacada da Visa não foi apenas fazer humor ao recontar histórias trágicas do Brasil em Copas. Foi conseguir unir o que a marca oferece para o consumidor e transmitir uma mensagem.