Negócios do Esporte

Nunca antes na história das Copas do Mundo…

Erich Beting

Hoje, a dois anos do início da Copa do Mundo de 2014, a Match, agência que detém os direitos de comercialização dos ingressos para os camarotes no evento, anunciou que bateu um recorde no Brasil. A empresa já faturou US$ 262 milhões em vendas de camarotes para empresas e/ou pessoas abastadas. Nunca antes, na história das Copas do Mundo, vendeu-se tanto camarote a preços tão salgados.

Mas o que explica essa festança da Copa no Brasil?

A primeira delas, óbvia, é o bom momento econômico brasileiro. As empresas estão vendendo bem e, por isso, têm grande interesse em comprar ingressos para a Copa. Quem não é patrocinador do evento tem, nos camarotes, uma boa chance de fazer ações de relacionamento, seja interna ou externa, a partir desses bilhetes corporativos.

Outro fator a se considerar é o fato de que o país já tem uma cultura de uso de camarotes em eventos esportivos. Estamos acostumados a ver as empresas levarem clientes e fornecedores a corridas de Fórmula 1, Indy, Stock Car, jogos de futebol, de vôlei ou basquete. Isso cria um clima favorável para que também as empresas saibam da importância de comprar os ingressos para os convidados Vips.

Mas até aí, em 2006, a Alemanha também vivia um bom momento econômico e tinha essa cultura de investir em camarotes.O que faz o Brasil viver uma situação diferente, nesse caso, é a falta de cultura que temos, por aqui, de ter grandes e bons eventos, sejam eles no esporte ou fora dele.

Com a falta de cultura em organizar eventos, acostumamo-nos a pagar muito caro para ter grandes shows ou acontecimentos esportivos. Vale lembrar que o Brasil é, atualmente, o mais caro mercado de música do mundo. Nenhum show paga cachê tão alto para os artistas e ingressos tão caros para os espectadores. Com a Copa do Mundo, reproduzimos esse fenômeno para os camarotes.

Sem uma base de comparação, as grandes empresas decidiram colocar dinheiro nesses ingressos. Com isso, pagam a mais alta conta da história das Copas pelos mais valiosos bilhetes. Resta saber se, daqui a dois anos, os estádios estarão prontos para receber esse público.

Nunca antes na história das Copas houve uma venda de ingressos corporativos tão vantajosa como agora. E, dificilmente, será assim na Rússia e no Qatar, as sedes dos dois próximos Mundiais. Coisas do Brasil…